11/11/2020
na página do Bem sim ❤
Rabada da Vó Zê! Ela começou a preparar a rabada as 07:40 da manhã. Limpou, tirou o excesso de gordura, colocou de molho na água com vinagre, amassou o alho com sal e pimenta, picou a cebola bem picadinha.
Na mesa ao lado já tinha café passado fresquinho, bolo de milho, biscoito, pão de queijo e um restinho de bolo de iogurte. Na casa da minha vó, todos os dias, sem exceção, são assim: mesa farta ao comando de uma mulher forte que sabe tudo de cozinha pelo toque e pelo cheiro.
Todo mundo defende que sua avó é a melhor cozinheira do mundo, eu como não sou diferente, defendo com toda certeza que a melhor é a minha Vó Zenaide.
Nossas conversas caminham por receitas, medidas e “Cacá, ganhei uma receita que cê não acredita! Já testei aqui e ficou uma delícia. Ele leva 2 xícaras de farinha...” e lá se vão horas a fio no telefone.
Eu entendo todos os caminhos da militância na cozinha, concordo que cozinhar é político, mas a bandeira que decidi levantar foi a do afeto e da força. Essa que hoje parece tá meio na moda, a tal “cozinha de afeto” que muitos falam mas poucos praticam pois demanda tempo, espera, horas de fogão aceso, tem paciência e acompanha o crescer da massa em comunhão com andar do sol no céu. Já ouviram falar que amar é para os fortes? Eu já, e só gente forte é que decide carregar a bandeira do afeto. Amar na cozinha requer coragem e decisão séria de todos os dias escolher preparar e dedicar tempo à comida de quem ainda não despertou. E não, não falo da escolha machista que obriga a mulher a esquentar a barriga no fogão, falo da escolha livre de quem decide curar com as mãos e colheres os corações daqueles que tem barriga vazia de amor e de vida viva. Exatamente como a minha Vó Zenaide. ♥️