10/09/2024
Minha mãe!
Dra. Glauceneide de Barros Figueiredo
Perder alguém que amamos profundamente é uma dor indescritível, a saudade se faz presente em cada detalhe do nosso dia. Os cafés da manhã que tomávamos pela manhã depois que deixava os meninos na escola e na UNIFOR; o seu cheiro; o seu afago; seus cabelos lisos brancos; seu andar que mesmo sem o fôlego que necessitava, teimava em andar rápido; seus conselhos e muitas vezes ao ouvir à senhora me chamado por: GILSON AMARO! Ai o bicho pegou!
Nos últimos meses tive o prazer e honra de lhe servir, de retribuir todo o cuidado e carinho que nos foi dado durante estes anos! Peguei a senhora nos braços, ajudei a movimentá-la na cama, tive o prazer de fazer seus almoços e jantares, os poucos passeios de carro, pois a senhora cansava muito! Os sorvetes após os passeios no 50 Sabores, no Juarez! E às vezes a senhora dizia: “segredo nosso, não diga nada a sua irmã!”
Minha mãe: agora não precisamos mais de segredinhos!
E quando ia tomar banho e estava no quarto! Vixe! Bastava o olhar, para que eu saísse do quarto! O olhar já dizia tudo!
Conversamos umas duas semanas antes de sua partida, um diálogo quase que monólogo, pois já não tinha forças para falar! Foi o suficiente para falar de meus erros, pedir perdão!
Tive o prazer, junto com seu neto Ian, de organizar a última missa que assististes! A senhora se confessou, recebeu a unção dos enfermos, comungou, recebeu o escapulário de Nossa Senhora do Carmo! Como disse o Ian em outro texto: “parecia que estava esperando apenas os sacramentos! Dois dias depois se despedia do quarto para não mais voltar!”
Agarramo-nos aos sinais que ficamos mais sensíveis em observar! Parece que neste momento de dor, ficamos mais atentos, vivendo o presente!
Na missa do Domingo passado 08/09/2024, para mim, foi DEUS que deixou o único lugar restante disponível na igreja para minha família! Foi aos pés de Nossa Senhora de Fátima! Neste momento tive e tenho a certeza que finalmente vistes a face do Senhor! Que estás melhor do que nós, nesta passagem terrena!
A saudade é também uma prova do amor que vivemos, dos momentos que compartilhamos e das lembranças que continuarão a iluminar nossa jornada!
Embora a ausência física seja difícil de suportar, acredito que a sua essência nunca nos deixará! A senhora viverá nas memórias, nos ensinamentos e no impacto que causou em nossas vidas. A dor, com o tempo, se transformará em gratidão pela oportunidade de ter tido a senhora conosco, mesmo que por um tempo limitado.
Ao ressignificar essa dor, encontraremos um novo sentido para a saudade. Em vez de ser um fardo, ela tornar-se-á uma forma de honrar a senhora, de manter vivo o amor que nos une, de sentir que, de algum modo, essa presença continua a nos acompanhar em espírito.
É difícil, mas a certeza de que o amor não acaba nos dá forças para seguir em frente, sabendo que, um dia, o reencontro será inevitável. Até lá, transformaremos a dor em saudade, e a saudade, em uma conexão eterna com a senhora!
Gilson Amaro
Fortaleza, 10 de Setembro de 2024.