16/08/2024
RIO EM NOSTALGIA
Para quem anda pelo Centro da cidade, nem sempre é possível contemplar a beleza da arquitetura do Rio antigo. Afinal, lá embaixo, é preciso estar atento ao movimento, às irregularidades do piso e aos cruzamentos. Só mesmo subindo a um dos centenários sobrados – no caso, o de número 30 da Rua do Rosário, hoje ocupado pela Casa Tucum ( https://www.tucumbrasil.com/ ) – para f**ar assim, de boas, a apreciar as fachadas, janelas e guarda-corpos que formam o harmonioso conjunto que resiste ao tempo. Sim, a Rosário é uma daquelas vias que nos desperta a nostalgia de épocas que não vivemos! E ela é uma das ruas mais antigas ruas do Rio, tendo surgido no começo do século 18, época e que começou a ser construída a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Pretos, que f**a lá na sua outra extremidade.
Vários outros nomes denominaram as atuais vias do Rio, e aqui não foi diferente. Desde Rua dos Pretinhos – referência à irmandade que construiu a igreja, a primeira a permitir a participação de negros livres ou escravizados – a Rua de Domingos Manuel, do Padre Matoso e do Vila Lobos, por exemplo. É que, no período colonial, os logradouros eram conhecidos pelo nome de seus moradores ilustres ou por determinadas características, como a Rua da Vala (hoje, Uruguaiana), que corta a Rosário e tinha mesmo, no passado, um valão que escoava as águas que transbordavam da extinta Lagoa de Santo Antônio, no que hoje é o Largo da Carioca.
Tricentenária, a Rua do Rosário faz jus ao título conferido ao Rio pela Unesco em 2019, de primeira Capital Mundial da Arquitetura. Nela, convivem casarões neoclássicos, prédios art-decó, igrejas barrocas e imponentes edifícios erguidos no início do século 20, quando toda esta região foi revitalizada pelo famoso Bota-Abaixo de Pereira Passos. Há também, claro, os caixotões de concreto construídos em tempos mais recentes e menos estilosos. Enfim, a Rua do Rosário é a cara do Rio – e, para usar um termo comum de outrora, bom mesmo é passar um tempo flanando por aqui.