16/06/2020
MESMO NOS DIAS RUINS
Mesmo nos dias ruins, haverá um acontecimento bom, de arrebatamento, de novidade, de estreia, de pertencimento, de espetáculo ao nosso redor.
Mesmo nos dias ruins, de adoecimento, encontrará tréguas de saúde.
Mesmo nos dias ruins, cercados de lágrimas, você ainda pode rir de uma piada, de um diálogo, de uma extravagância.
Mesmo nos dias ruins, vai se distrair e esquecer os pensamentos turvos por um instante, guardar a dor no bolso para depois.
Mesmo nos dias ruins, existirão um entardecer acachapante, uma lua cheia, um vento refrescante, um sol espelhado nas águas.
Mesmo nos dias ruins, seu cachorro talvez queira brincar e terá que jogar a bola e o desânimo para longe.
Mesmo nos dias ruins, a vontade de amar é capaz de ser maior do que a tristeza de não ser amado.
Mesmo nos dias ruins, de tempestade forte e constante, os relâmpagos clareiam o escuro e descortinam o nosso rosto.
Mesmo nos dias ruins, alguém poderá fazer um agrado inesperado, aparecer do seu passado com saudade, despertar a sua sensibilidade.
Mesmo nos dias ruins, uma refeição guarda o poder de devolver o seu prazer de estar à mesa.
Mesmo nos dias ruins, ainda temos os amigos, a família, a rede de afetos para cairmos protegidos.
Mesmo nos dias ruins, receberemos uma frase de incentivo, uma mão para apertar, um ombro para se apoiar, um colo para deitar as mágoas.
Mesmo nos dias ruins, na hora de esquecê-los para sempre, achará uma gentileza avulsa para lembrar.
Mesmo os dias ruins ainda são nossos dias: tempo correndo e se transformando, com inúmeras chances para desafiar a cadeia negativa de pressentimentos.
Os dias ruins nunca são completamente ruins, inteiramente ruins, dias perdidos.
Mesmo nos piores dias de nossa vida, ainda brilha a esperança de se ver algo de bonito.