10/11/2020
A gente é só alegria quando nossa espaço ilustra um texto da Olha só:
• • • • • •
Dois cafés
por Geo Tavares
Entrou no bar. Olhou para o local a fim de procurar um lugar para se sentar. Qualquer lugar longe de grupos. Seus pensamentos já faziam barulho demais em sua cabeça. Olhou e viu a última mesa do canto esquerdo vazia. Sentou-se. Recebeu um cardápio. Pegou, colocou sobre a mesa. Mãos sobre o queixo. Olhos fixos no horizonte.
Entrou no bar. Olhou o local para procurar um lugar sossegado pra sentar. Estava com alguns livros, ia aproveitar pra ler um. O lugar era desses que tinha bancos corridos nos cantos e mesas pra dois e quatro pessoas. Escolheu o antepenúltimo lugar da sequência à esquerda. Sentou-se. Solicitou o cardápio. Pegou e ficou a olhar, sem saber bem o que pedir.
Olhou para o lado. Dera-se conta que havia uma pessoa na mesa ao seu lado, não somente uma figura humana. Alguém que tinha o olhar no horizonte, as mãos no queixo e um semblante reflexivo.
Voltou-se para os livros. Chamou o garçom.
Virou-se para o lado: aceita um café?
As mãos saíram do queixo e os olhos viraram em direção ao som da voz que oferecia o café. Aceitou. Observou os livros sobre a mesa. Há quanto tempo não lia um livro, pensou.
Pediu para ver um. Folheou.
Perguntou sobre o conteúdo.
Recebeu uma oferta de empréstimo.
Era o início de uma nova amizade.
Imagem: fotografia da frente do Café “Dois Cafés – Sabor e Arte”, no bairro do Rio Vermelho, em
Salvador, Bahia, gentilmente cedida por Eliane Oliveira.